sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Sobrevivência – Parte III – (Leia as partes anteriores abaixo)

Andei uns cinco km. Eu, o vento, a lama e as chuvas. Eu comecei a chorar. Meus pés doíam, minha cabeça estava pesada e meus olhos ardiam tanto… Eu estava gelada e molhada. Ninguém estava ali para me ajudar. E eu quis assim. Só eu, e eu mesma. E nem eu poderia me ajudar. Então sentei, tirei meus calçados e sentei em baixo de uma árvore um pouco maior do que duas de mim. Duas de mim seriam uns… três metros e cinquenta. Ela era grande, velha e cheia de limos. Os cogumelos grudados em seu tronco eram incríveis, eu juro que eu procurei alguns gnômos. Dizem que els são rápidos, é difícil vê-los. E eu passo tanto tempo por aqui… Quer dizer, todo o tempo. Eu tenho todo o direito de conseguir ver.
Logo que a chuva parou eu me levantei e vi que do outro lado da árvore havia um buraco, como se fosse uma porta. E lá dentro parecia, apesar de úmido, ser muito aconchegante. E pensar que eu poderia ter ficado todo o tempo da tempestade dentro daquele lugar…
Tudo bem, outras tempestades viriam e eu faria daquele lugar o meu lugar. E eu fiz. Como naqueles filmes em que as famílias ficam perdidas em ilhas, eu usei as folhas grandes e fortes de uma outra árvore e fiz como se fosse uma cortina. A água batia, mas não entrava. E eu ainda podia ouvir o barulinho das gotas caindo… Cerquei e forrei o chão e as paredes do lado de dentro da árvore com a lona que havia sobrado da minha barraca. Os pássaros haviam destruído minha barraca. Só restou a lona, que serviu muito bem.
O tempo secou. Eu e a árvore secamos juntas. Os cogumelos cada dia mais secos e eu esperava os gnômos com muita esperança, mesmo.
Eu tinha até um livro que falava sobre eles nas minhas coisas… Eu estava no meio do mato, mas eu tinha muitos apetreixos, não estava desprevinida. Tinha livros, mapas, bússolas, protetor solar (eu havia levado muitos deles), óculos de sol, dardos com sonífero, roupas… Eu apenas não tinha mais barraca. Mas meu sonho de infância era ter uma casa na árvore. Um pouco mais no topo, mas na árvore.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Sobrevivência Parte II - (Leia parte I abaixo)

Muita chuva, muita chuva e mais chuva, o que atrapalharia meu caminho. Sim, eu tinha de continuá-lo. Não seria fácil, mas eu fui pra lá sabendo que seria assim. A busca de uma coisa que não se sabe o que é nunca foi tarefa fácil: primeiro, temos que descobrir, durante, o que é que procuramos; segundo, temos que achar; terceiro, estar preparado para não encontrar e agüentar todas as consequências.
Eu fui logo me enfiando dentro do mato, onde eu nunca havia estado na minha vida. Foi um ano até eu me acostumar totalmente… Eu já tinha ido caçar com o meu pai algumas vezes, mas fiz questão de esquecer qualquer experiência daquelas, depois que descobri quem ele realmente era. Eu nunca esqueci. Só não lembrava que eu poderia lembrar. E foi por esses dias mesmo, uns três dias atrás, que eu coloquei em prática a minha prática. Usei um dos dardos com soníferos que eu tenho guardado no bolso esquerdo do lado de fora de minha jaqueta. Foi só me esconder atrás da árvore e pimba!, eu havia pego um enorme tamanduá. E carne de tamanduá é boa, viu? Assada na hora. Sem dividir com ninguém, é ainda melhor.
Faz uns dois anos que não vejo ninguém… O que não me faz diferença, deve fazer mais alguns anos que não tenho uma boa conversa com ninguém. Não gosto de conversar. Pelo menos aqui, tenho minha paz.
Durante um ano, eu ainda não descobri o que eu vim procurar aqui. Mas se eu vim, é porque eu tenho algo a procurar. Talvez eu só não esteja exatamente no lugar certo… Pode ser que esteja a minha esquerda, a minha direita… Ou até mesmo dentro de mim. Não, eu não sou tão complexa para ter a resposta da minha vida dentro de mim mesma, e ainda não ter encontrado.
Bem, tenho alguns quilômetros desconhecidos para caminhar ainda.

Sobrevivência

O sol já está se pondo, eu pensei. Realmente, ele está indo embora… Eu confirmei. Amanhã ele volta. Tranquilizei-me. Olhei para o lado e não vi nenhuma sombra, nem nada. Não havia mais nenhuma luz para formar a sombra do meu corpo. O sol, a essa hora, já havia se posto.
Triste, sim. Eu estava sozinha em uma noite fria de inverno, sem sol e sem lua. Naquela noite não havia estrelas. Havia só vento e eu parecia estar perdida no meio dos pelos de um jaguar de olhos fechados, tão escuro, tão escuro, e ele nem se quer abria os olhos para iluminar um pouco a minha noite.
Vou dormir, eu pensei. Não há nada a fazer. Fechei os olhos e tentei descançá-los. Foi pior. Eles pareciam olhar tudo que estava passando dentro de mim. Angustia, agonia, solidão, saudade… Eu não sentia medo. Afinal, eu não estava entre os pelos de um jaguar qualquer, era um jaguar conhecido. Eu sabia sobre cada osso daquele corpo que poderia interferir no meu caminho. E, também, de alguma forma nada interferia. A não ser meus próprios olhos.
Eu fiquei escutando o barulho das árvores, junto delas, o barulho das corujas. E este segundo barulho foi se aproximando, e eu fui abrindo o meu olho, bem devagar. Não que fosse adiantar muito. Foi se aproximando, se aproximando… Quando chegou bem perto de mim, a coruja parecia sussurar em meu ouvido, como se estivesse me acalmando. Eu fechei meus olhos, então, mais uma vez, e coloquei minha mão para o lado. Agora, não era só mais a noite fria e eu, havia uma coruja comigo.
Quando acordei, pela manhã, sentindo gotas no meu rosto, eu olhei para a minha mão e nela não havia coruja nenhuma. Cheirei minha mão e também não havia cheiro de coruja. Foi um sonho, que parecia real. Ao menos, me ajudou a dormir. Comecei a arrumar minhas coisas e embaixo de meu travesseiro havia uma pena, de coruja. Bem bonita, vistosa e molhada. Eu guardei em minha mochila. Eu fiz muitos desses amigos no meio do mato. Cada um diferente, me ajudando a sobreviver cada dia, cada noite.
Eu olhei para o céu, observando bem, e me desesperei. O sol não havia voltado…

Apresentação

Olá!
Neste blog, eu irei contar histórias. Sem textos e sem poemas, isto você encontra no Blog Escrevendo na Chuva (www.escrevendo-nachuva.blogspot.com). A idéia deste blog é relatar fatos e histórias, escritas por mim, em vários capítulos, que seriam eles, dividos em postagens. Cada capítulo será numerado, facilitando e possibilitando que o leitor consiga ler os contos em ordem.
Essas histórias, poderão ser totalmente fictícias e também baseadas em fatos reais. Darei essas informações no início delas.
Não tenho nenhum prazo para a próxima postagem, mas avisarei caso fique sem escrever por muitos dias.
Pretendo continuar as histórias todos os dias, e uma boa história, para prender a atenção do leitor e para que ele tenha vontade de ler a continuação das histórias no dia seguinte.
Esta é a proposta deste blog.
Espero que todos gostem, e que eu goste de escrever aqui.
É uma experiência nova.
Até,
Beijos,
Ana Clara.