Muita chuva, muita chuva e mais chuva, o que atrapalharia meu caminho. Sim, eu tinha de continuá-lo. Não seria fácil, mas eu fui pra lá sabendo que seria assim. A busca de uma coisa que não se sabe o que é nunca foi tarefa fácil: primeiro, temos que descobrir, durante, o que é que procuramos; segundo, temos que achar; terceiro, estar preparado para não encontrar e agüentar todas as consequências.
Eu fui logo me enfiando dentro do mato, onde eu nunca havia estado na minha vida. Foi um ano até eu me acostumar totalmente… Eu já tinha ido caçar com o meu pai algumas vezes, mas fiz questão de esquecer qualquer experiência daquelas, depois que descobri quem ele realmente era. Eu nunca esqueci. Só não lembrava que eu poderia lembrar. E foi por esses dias mesmo, uns três dias atrás, que eu coloquei em prática a minha prática. Usei um dos dardos com soníferos que eu tenho guardado no bolso esquerdo do lado de fora de minha jaqueta. Foi só me esconder atrás da árvore e pimba!, eu havia pego um enorme tamanduá. E carne de tamanduá é boa, viu? Assada na hora. Sem dividir com ninguém, é ainda melhor.
Faz uns dois anos que não vejo ninguém… O que não me faz diferença, deve fazer mais alguns anos que não tenho uma boa conversa com ninguém. Não gosto de conversar. Pelo menos aqui, tenho minha paz.
Durante um ano, eu ainda não descobri o que eu vim procurar aqui. Mas se eu vim, é porque eu tenho algo a procurar. Talvez eu só não esteja exatamente no lugar certo… Pode ser que esteja a minha esquerda, a minha direita… Ou até mesmo dentro de mim. Não, eu não sou tão complexa para ter a resposta da minha vida dentro de mim mesma, e ainda não ter encontrado.
Bem, tenho alguns quilômetros desconhecidos para caminhar ainda.
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