Andei uns cinco km. Eu, o vento, a lama e as chuvas. Eu comecei a chorar. Meus pés doíam, minha cabeça estava pesada e meus olhos ardiam tanto… Eu estava gelada e molhada. Ninguém estava ali para me ajudar. E eu quis assim. Só eu, e eu mesma. E nem eu poderia me ajudar. Então sentei, tirei meus calçados e sentei em baixo de uma árvore um pouco maior do que duas de mim. Duas de mim seriam uns… três metros e cinquenta. Ela era grande, velha e cheia de limos. Os cogumelos grudados em seu tronco eram incríveis, eu juro que eu procurei alguns gnômos. Dizem que els são rápidos, é difícil vê-los. E eu passo tanto tempo por aqui… Quer dizer, todo o tempo. Eu tenho todo o direito de conseguir ver.
Logo que a chuva parou eu me levantei e vi que do outro lado da árvore havia um buraco, como se fosse uma porta. E lá dentro parecia, apesar de úmido, ser muito aconchegante. E pensar que eu poderia ter ficado todo o tempo da tempestade dentro daquele lugar…
Tudo bem, outras tempestades viriam e eu faria daquele lugar o meu lugar. E eu fiz. Como naqueles filmes em que as famílias ficam perdidas em ilhas, eu usei as folhas grandes e fortes de uma outra árvore e fiz como se fosse uma cortina. A água batia, mas não entrava. E eu ainda podia ouvir o barulinho das gotas caindo… Cerquei e forrei o chão e as paredes do lado de dentro da árvore com a lona que havia sobrado da minha barraca. Os pássaros haviam destruído minha barraca. Só restou a lona, que serviu muito bem.
O tempo secou. Eu e a árvore secamos juntas. Os cogumelos cada dia mais secos e eu esperava os gnômos com muita esperança, mesmo.
Eu tinha até um livro que falava sobre eles nas minhas coisas… Eu estava no meio do mato, mas eu tinha muitos apetreixos, não estava desprevinida. Tinha livros, mapas, bússolas, protetor solar (eu havia levado muitos deles), óculos de sol, dardos com sonífero, roupas… Eu apenas não tinha mais barraca. Mas meu sonho de infância era ter uma casa na árvore. Um pouco mais no topo, mas na árvore.
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