quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Sobrevivência

O sol já está se pondo, eu pensei. Realmente, ele está indo embora… Eu confirmei. Amanhã ele volta. Tranquilizei-me. Olhei para o lado e não vi nenhuma sombra, nem nada. Não havia mais nenhuma luz para formar a sombra do meu corpo. O sol, a essa hora, já havia se posto.
Triste, sim. Eu estava sozinha em uma noite fria de inverno, sem sol e sem lua. Naquela noite não havia estrelas. Havia só vento e eu parecia estar perdida no meio dos pelos de um jaguar de olhos fechados, tão escuro, tão escuro, e ele nem se quer abria os olhos para iluminar um pouco a minha noite.
Vou dormir, eu pensei. Não há nada a fazer. Fechei os olhos e tentei descançá-los. Foi pior. Eles pareciam olhar tudo que estava passando dentro de mim. Angustia, agonia, solidão, saudade… Eu não sentia medo. Afinal, eu não estava entre os pelos de um jaguar qualquer, era um jaguar conhecido. Eu sabia sobre cada osso daquele corpo que poderia interferir no meu caminho. E, também, de alguma forma nada interferia. A não ser meus próprios olhos.
Eu fiquei escutando o barulho das árvores, junto delas, o barulho das corujas. E este segundo barulho foi se aproximando, e eu fui abrindo o meu olho, bem devagar. Não que fosse adiantar muito. Foi se aproximando, se aproximando… Quando chegou bem perto de mim, a coruja parecia sussurar em meu ouvido, como se estivesse me acalmando. Eu fechei meus olhos, então, mais uma vez, e coloquei minha mão para o lado. Agora, não era só mais a noite fria e eu, havia uma coruja comigo.
Quando acordei, pela manhã, sentindo gotas no meu rosto, eu olhei para a minha mão e nela não havia coruja nenhuma. Cheirei minha mão e também não havia cheiro de coruja. Foi um sonho, que parecia real. Ao menos, me ajudou a dormir. Comecei a arrumar minhas coisas e embaixo de meu travesseiro havia uma pena, de coruja. Bem bonita, vistosa e molhada. Eu guardei em minha mochila. Eu fiz muitos desses amigos no meio do mato. Cada um diferente, me ajudando a sobreviver cada dia, cada noite.
Eu olhei para o céu, observando bem, e me desesperei. O sol não havia voltado…

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